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De acordo com o Atlas da Violência de 2018, publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP)[1], só em 2016, mais de quatro mil mulheres foram assassinadas no Brasil, o que significa 4,5 homicídios a cada 100 mil brasileiras – um aumento de 6,4% em 10 anos.

Quando se trata de violência doméstica contra mulheres, os números também são assustadores. Conforme dados publicados no Panorama da Violência Contra as Mulheres no Brasil[2], do Observatório da Mulher Contra a Violência, só em 2015 foram registrados mais de 75 mil atendimentos a mulheres vítimas de violência, sendo que 50,16% deles corresponderam a violência física, 4,54% a violência sexual, e 5,17% a cárcere privado. Até o final de 2017 tramitavam 1.273.398 processos referentes à violência doméstica no país[3].

Mesmo com a Lei Maria da Penha, que entrou em vigor em setembro de 2006 para coibir a violência doméstica e familiar prevenindo a perpetuação do ciclo de violência e punindo os responsáveis por estes atos, os casos de feminicídio continuam em crescimento. Dois exemplos recentes ilustram o cenário. O primeiro foi a morte da advogada paranaense Tatiane Spitzner, que foi espancada repetidas vezes pelo marido e em seguida encontrada morta em decorrência da queda do quarto andar do prédio onde morava o casal. O segundo caso emblemático foi o da corretora de imóveis Karina Garofalo, assassinada a mando do ex-marido porque, de acordo com as investigações até o momento, o casal brigava na Justiça por uma partilha de bens e o ex-marido não aceitava que Karina estivesse em um novo relacionamento.

Amplamente comentados nas redes sociais, os casos geraram protesto para combater o dito popular de que “em briga de marido e mulher não se mete a colher”. A hashtag #metaacolher ou suas variações, como #metaacolhersim, tiveram grande divulgação recentemente. Os casos suscitaram indignação, mas também dúvidas sobre os limites e as consequências legais da intervenção de terceiros em uma situação de violência doméstica.

 Médico pode “meter a colher”, mas há regras para evitar processos

Quando o médico se depara em consultório ou pronto-socorro (PS) com uma paciente que suspeita estar sofrendo violência doméstica, muitas vezes não sabe como agir. Até onde o médico pode ir para investigar mais profundamente o caso e, quem sabe, até mesmo denunciá-lo às autoridades competentes?

De acordo com coordenador do Núcleo de Violência Sexual do Hospital Pérola Byington, Dr. André Malavasi, é importante que o médico preste atenção a vários detalhes durante a consulta. Uma anamnese bem-feita, por exemplo, já traz indícios claros de que a mulher está sendo vítima de violência doméstica.

“É importante uma anamnese ampla, com escuta ativa. Precisamos deixar a mulher falar de forma livre e espontânea, e prestar atenção aos sinais indiretos para perceber o grau de ansiedade em que ela se encontra”, diz o Dr. Malavasi.

O presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), Dr. Lavínio Nilton Camarim, explica que o médico não consegue adivinhar que a mulher sofreu violência, mas que há indícios mostrando que isso ocorreu, e que a melhor forma é estabelecer uma relação de confiança durante a consulta para que a paciente se sinta confortável para relatar o que se passou.

Fonte: https://portugues.medscape.com